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Blog x Twitter: qual venceu a guerra pela preferência dos usuários?

Esse artigo é um Guest Post escrito por Carla Martins. Ela é jornalista de formação e Arquiteta de Informação por vocação. Trabalha com internet e já passou por agências como Player Comunicação Digital e Ogilvy Interactive Brasil.  Atualmente, está prestes a iniciar um novo desafio, como Arquiteta de Informação da TV Record. É apaixonada por Comunicação, Internet, Cinema e Literatura. Mantém dois sites: seu Portfólio Online e o blog Leitura (mais que) Obrigatória.


See Anyone You Know?
Creative Commons License photo credit: garryknight

Quando a onda do Twitter chegou no Brasil, ouviu-se muitas suposições: que havia chegado o “fim do Blogs” ou que começaria a “troca de uma ferramenta por outra” e até a afirmação de que o Twitter seria a “evolução” do Blog. Depois de um bom tempo no ar, podemos afirmar que a febre do Twitter chegou, ficou por um tempo e já está passando, assim como aconteceu com os Blogs e com todas as demais redes sociais existentes.

O Twitter chegou, mas os Blogs continuam por aí. A questão é que, quando uma nova ferramenta social aparece, os usuários correm para conhecê-la, formando um boom de acessos e de novas contas. Isso é completamente normal e previsível, tendo acontecido o mesmo fenômeno com o Second Life, Orkut, Delicious, Facebook, Flickr, WordPress e muitos outros sites que promovem o encontro de pessoas e a troca de experiências. Afinal, curiosidade e relacionamento com o próximo são duas características enraizadas nos seres humanos.

Depois de alguns acessos, interações e experiências vividas nesses ambientes, os usuários que se identificaram realmente com a proposta do site continuam participativos e fiéis, acessando o endereço diariamente e, muitas vezes, várias vezes ao dia. Porém, para aqueles que não sentiram uma utilidade real e efetiva, o login acaba ficando inativo e o usuário deixa de acessar a página.

Assim, cada rede social permanece atraindo e mantendo o círculo de pessoas que se identificam com seu formato e proposta de publicação de conteúdo, lembrando sempre que a participação de um usuário no Twitter, por exemplo, não impede que o mesmo tenha um Blog e um perfil no Orkut. Ou seja, uma ferramenta não elimina a outra, não são excludentes, mas podem sim ser complementares. O que falta é tempo de participar ativamente de tantas comunidades em um dia com apenas 24 horas.

E era exatamente para dividir com os amigos (e os desconhecidos curiosos) o que fazemos durante essas 24 horas do nosso dia que o Twitter foi lançado. Isso mesmo. Sua proposta inicial era publicar o que estávamos fazendo, para gerar pequenas conversas em cima disso. Por isso o limite de caracteres. A intenção era a publicação de frases curtas, rápidas, ágeis. Idéia simples, sucesso mundial.

Certamente, se a proposta do Twitter fosse somente essa, o site não teria muito futuro. O genial foi o uso que os próprios participantes da ferramenta fizeram do sistema, transformando seus perfis em fontes de informações e em espaços importantíssimos para empresas, políticos e formadores de opinião chegarem mais perto de seu público. Hoje, uma ferramenta com uma proposta completamente diferente é utilizada no mesmo sistema criado para outro fim. E esse é só um exemplo do poder do usuário com a web 2.0.

Até me arrisco a dizer que, hoje, a minoria dos perfis do Twitter escrevem apenas sobre o que estão fazendo. Prova disso é a lista dos 10 perfis mais seguidos do site. Divulgada em março deste ano, a lista traz a CNN em primeiro lugar, com 450.063 seguidores. Confira os outros nove mais seguidos:

Barack Obama – 409.322
Twitter – 368.408
Britney Spears – 345.762
NY Times – 291.020
Stephen Fry – 289.667
Al Gore – 281.888
Ashton Kutcher – 279.871
The Real Shaq – 270.430
Lance Armstrong – 270.134

Fonte: Os 10 principais usuarios do Twitter no mundo

O Blog, por sua vez, não passa a idéia de uma ferramenta ágil, para publicação de mensagens rápidas e links interessantes. Lá, escreve-se principalmente sobre temas específicos, que interessam a grupos segmentados da sociedade, como literatura, internet,  música, cinema, ou faz-se do publicador um diário virtual. Empresas tambem utilizam muito a ferramenta para divulgar novidades e promoções. Ao contrário do que foi cogitado com a chegada do Twitter, os blogs não perderam seu espaço e, em algunsa casos, ganharam até uma extensão sua no Twitter.

Em 1999, o número de blogs era estimado em menos de cinquenta. Menos de três anos depois, os números saltaram para mais de 2,5 milhões. Atualmente, de acordo com o estudo State of Blogosphere, existem 140 milhões de blogs e cerca de 120 mil são criados diariamente (1,4 por segundo).

Essa “concorrência” entre ferramentas é muito positiva e os usuáros só têm a ganhar com isso. Afinal, concorrência traz melhorias! Um exemplo clássico é a opção de seguir um blog, que surgiu, certamente, depois da tendência de seguidores do Twitter. Hoje, os blogs trazem os thumbs (pequenas fotos) dos seus seguidores, exatamente como acontece no miniblog, fazendo com que o ponto forte do Twitter também exista no bom e velho diário virtual.

Claro que há quem tenha se identificado mais com o microblog e, por isso, acabou por abandonar seu antigo blog, mais adequado para quem prefere escrever textos maiores e mais aprofundados, como este post, por exemplo. Mas há quem tenha optado pelas duas ferramentas ou não tenha se identificado com o Twitter, preferindo apenas escrever em seu diário virtual.

Em suma, há espaço para todas as ferramentas que promovam a interação, a troca e a comunicação. Assim como o rádio não acabou com a chegada da televisão e assim como a televisão não sumiu com o advento da internet, uma ferramenta colaborativa não excluirá outra, se as duas trouxerem propostas inovadoras, únicas, inclusivas e interativas.

Gustavo Freitas
guest post

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